Reflexões para o Futuro

Independentemente dos meios de divulgação ou das evoluções tecnológicas, há áreas que necessitam de maior intervenção:

  • Estudos sobre a leitura das imagens;
  • Formatos pré-definidos dos softwares;
  • Desenvolvimento de novas formas de representação;
  • Adoção de normas gráficas;
  • Aposta na formação gráfica.

Estudos percetivos sobre a leitura das imagens: Os estudos sobre o modo como o leitor extrai e/ou utiliza a informação gráfica representada têm apontado pistas, mas apresentam limitações. Por um lado, é difícil medir a espontaneidade quando se pede ao leitor para avaliar uma imagem, ainda mais num contexto em que a literacia gráfica tem vindo a crescer. Por outro lado, os estudos indicam que uma pessoa está tanto mais habilitada a ler uma imagem informativa quanto maior for o conhecimento prévio dessa imagem (ou maior for o treino sobre o respetivo método de leitura), o que dificulta a substituição das imagens existentes por novas formas de representação.

Uma das soluções pode passar por apresentar mais do que uma forma gráfica para o mesmo conjunto de dados (uma comum e outra inovadora), permitindo aos leitores menos experientes retirar a informação essencial e cativar os leitores mais experientes para a obtenção de informação adicional.

O problema dos formatos pré-definidos dos softwares: Com a proliferação de gráficos e mapas começa a desenhar-se um problema para o qual não existe solução à vista. Estas imagens informativas seguem os padrões dos instrumentos que os produzem (Excel, SPSS, Arcgis, entre outros) e geram cansaço em vez de atração visual. Já começa a ser frequente passar pelos gráficos sem os ‘ler’, por estes serem visualmente repetitivos e estarem mal elaborados ou, simplesmente, por se resumirem ao resultado automático do software.

Desenvolvimento de novas formas de representação: Uma das formas de contrariar este cansaço visual é apostar em criar novas imagens informativas para o grande público e ‘refrescar’ o leque de representações existentes, introduzindo no domínio do conhecimento público imagens menos conhecidas. Há exemplos dignos de registo, como é o caso das caras de Chernoff, das matrizes gráficas ou das transformações cartográficas.

Adoção de normas gráficas: No fim do séc. XIX , início do séc. XX – o período de maior evolução e estudo sobre gráficos estatísticos – houve uma tentativa gorada de normalização internacional. Hoje em dia há algumas monografias em que este assunto é discutido em profundidade, quase sempre com base na opinião, nem sempre coincidente, dos autores e nem sempre com sustentação científica. O embrião de um manual de normas adequado a um utilizador menos exigente pode sempre ser realizado, uma vez que existe, apesar de tudo, um conjunto de regras consensuais. Todavia, para um utilizador mais exigente, este manual terá de incorporar indicações mais objetivas, e estará dependente do prosseguimento de estudos de perceção visual, complementado, a qualquer momento, pela inclusão de novas formas gráficas.

Maior aposta na formação gráfica: Nas primeiras décadas do século XX, iniciou-se a formação universitária em métodos gráficos e foi criada, pela Associação Estatística Americana, a comissão permanente sobre gráficos. Contudo, com o passar dos anos, deixou de ser dada importância à formação sobre este tema e, presentemente, a abundância de imagens gráficas, apoiada em novos instrumentos, levanta novamente a necessidade de uma aposta generalizada na formação.

Os destinatários de tal formação não se limitam a ser os produtores destas representações informativas; são também os seus utilizadores. A formação do leitor não pode, portanto, ser descurada, porque visa criar um espírito crítico. Esse espírito crítico tem a dupla função de impedir a divulgação de imagens enganosas e de promover a divulgação de mapas e gráficos estatísticos cada vez mais complexos. O aumento da literacia gráfica pode ser atingido:

  • Dando maior ênfase à divulgação dos mapas ou gráficos, para que o leitor se familiarize com estas formas de divulgação de informação;
  • Apresentando diferentes mapas/gráficos para a mesma informação, para que o leitor se aperceba de que a imagem normalmente apresentada pode ser manipulada e, como tal, não deve ser tomada como verdade absoluta;
  • Introduzindo notas explicativas nas imagens ou, de modo mais ambicioso, fazendo com que a imagem deixe de integrar o texto e seja o texto que passe a estar incluído na imagem.

O ensino aprofundado dos métodos gráficos poderia integrar todos os cursos universitários que recorressem à imagem como forma de análise ou exploração de dados. A preocupação com a formação nesta área em níveis inferiores de ensino é, igualmente, fundamental para fazer face a uma crescente substituição do texto pela imagem.

O papel dos métodos gráficos no ensino é da maior importância e estende-se desde o uso de simples diagramas, para ilustrar ideias teóricas de forma concreta, até ao ensino especializado de métodos gráficos, especialmente importantes no encorajamento de uma atitude crítica relativamente à formulação de hipóteses e de modelos” (D.R. Cox, “Some remarks on the the role in statistics of graphical methods”)

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